O que são e por que seguimos regras?


LEPAC LOGOO QUE SÃO E POR QUE SEGUIMOS REGRAS?
André Luiz[1]; Josiane F. Knaut[2]
Universidade Positivo
Laboratório de Estudo e Prática em Análise do Comportamento

            Nos diferentes grupos sociais a que estamos ligados, existem categorias (ou tipos) de comportamentos que são ou não aceitos e, nossa forma de agir, fica sob controle dessas categorias previamente definidas. Segundo Skinner (2003) a classificação “bom” ou “mau”, “certo” ou “errado” é a principal técnica empregada no controle comportamental do indivíduo, que será reforçado ou punido de acordo com essas classificações. Os mecanismos de reforçar e punir fazem parte do controle comportamental que o grupo exerce sobre seus membros tanto em aspectos individuais quanto nas relações com os demais.

              Quanto maior o grupo social, mais difícil é a realização e manutenção do controle comportamental, havendo necessidade de formulação de regras. Regras, por sua vez, são estímulos (discriminativos) antecedentes verbais que podem descrever a resposta a ser emitida e suas prováveis consequências (Flores, 2004; Matos, 2001; Paracampo & Albuquerque, 2005). Regras podem ser utilizadas em diversas situações e desempenhar inúmeras funções como restringir a variação comportamental, estabelecer novos comportamentos e alterar as funções de estímulos (Albuquerque, 2001). Mas por que seguimos regras?

             De acordo com Skinner (2006), regras são seguidas porque o comportamento de seguir regras similares foi reforçado no passado. O histórico de reforçamento do comportamento de seguir regras foi desenvolvido ao longo do processo evolucional do homem, visto que as culturas e as praticas culturais que perduraram por longos períodos, só se mantiveram devido à transmissão (verbal) dos comportamentos necessários para realização dessas práticas. Segundo Matos (2001)

            Estabelecer e formular regras é um comportamento frequentemente reforçado entre e pelos mais velhos de uma comunidade; reforçado pela sua eficácia na instalação e manutenção de comportamentos desejados entre os mais jovens, que continuarão e perpetuarão as práticas culturais necessárias para a sobrevivência daquele grupo como um todo”… “Regras são particularmente empregadas em situações em que as contingências naturais são fracas, ou porque têm magnitude pequena ou porque operam em longo prazo”. (p. 58).

          De acordo com a descrição de Matos (2001) e os outros pontos levantados anteriormente, é possível incluir as regras ou, o estabelecimento de regras, como um processo essencial para o desenvolvimento e sobrevivência de uma cultura ou prática cultural. Primeiro porque possibilita a condensação de diversas contingências em descrições práticas (relação entre resposta e consequência) e segundo porque opera por um tempo maior que as contingências naturais.

           De acordo com os conceitos apresentados, podemos, mesmo que de forma pouco aprofundada, responder qual a função e o porquê que seguimos regras. Regras permitem transmitir ao longo das gerações quais são os comportamentos necessários para a manutenção das práticas culturais vitais (ou não) à sobrevivência de uma determinada sociedade e, sem elas, muitas das culturas que temos hoje talvez não existissem mais, pois as descrições das práticas culturais necessárias para dar continuidade à cultura perder-se-ia no tempo e, por fim, deixariam de existir. Se regras não existissem, é plausível dizer que nem seríamos capazes de ler este texto sobre regras, pois as descrições de ensino-aprendizagem sobre leitura e escrita não existiriam.

Referências

Albuquerque, L. C. & Ferreira, K. V. D. (2001). Efeitos de regras com diferentes extensões sobre o comportamento humano. Psicologia: Reflexão e Critica, 14, 127-139.

Flores, Eileen Pfeiffer. (2004). O conceito de regra na linguagem cotidiana e na Análise Experimental do Comportamento. Estudos de Psicologia (Natal), 9(2), 279-283. Retrieved July 31, 2014, from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-294X2004000200009&lng=en&tlng=pt. 10.1590/S1413-294X2004000200009.

Matos, M. A (2001). Comportamento Governado por Regras. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva. Vol.3, nº2, 51-66.

Paracampo, C. C. P. & Albuquerque, L. C. (2005) Comportamento controlado por regras: revisão critica de proposições conceituais e resultados experimentais. Interação em Psicologia, 9, 227-237

Skinner, B. F. (2003). Ciência e Comportamento Humano. São Paulo: Martins Fontes

Skinner, B. F. (2006). Sobre o Behaviorismo. São Paulo. Editora Cultrix.


¹Graduando em Psicologia pela Universidade Positivo: andreluizpsycho@gmail.com
²
Professora do Curso de Psicologia. Mestre em Psicologia. E-mail: josiknaut@gmail.com

 


 

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